Lesbian Space Princess

Lesbian Space Princess

LESBIAN SPACE PRINCESS: POR QUE O FILME VIROU UMA DAS MAIORES POLÊMICAS DA INTERNET?

Um filme australiano de animação que passou relativamente longe do grande público em 2025 acabou se tornando um dos assuntos mais comentados das redes sociais em 2026.

O nome?

Lesbian Space Princess.

Conhecido no Brasil como A Sapatona Galáctica, o longa acompanha Saira, uma princesa lésbica do planeta Clitópolis que parte em uma missão espacial para resgatar sua ex-namorada Kiki.

O filme mistura ficção científica, comédia absurda, romance e humor LGBTQIA+ extremamente exagerado.

E foi justamente esse estilo que acabou colocando o filme no centro de uma enorme discussão online.

UM FILME QUE COMEÇOU BEM DIFERENTE

Antes da polêmica, Lesbian Space Princess tinha uma trajetória bastante positiva.

O filme estreou mundialmente no Festival Internacional de Cinema de Berlim em fevereiro de 2025 e conquistou o Teddy Award.

Também recebeu reconhecimento no Festival de Cinema de Sydney, onde ganhou o prêmio do público de Melhor Longa-Metragem Australiano.

A recepção inicial estava longe de ser a de um desastre.

No Rotten Tomatoes, o filme chegou a registrar 98% entre os críticos.

Mas então veio 2026.

COMO A POLÊMICA COMEÇOU?

A situação mudou quando trechos do filme começaram a circular intensamente nas redes sociais.

TikTok, Reddit, X e outras plataformas passaram a receber vídeos mostrando cenas consideradas estranhas, exageradas ou simplesmente “cringe” por parte dos usuários.

Um dos vídeos que ajudou a impulsionar a onda de críticas recebeu milhões de visualizações.

O que inicialmente parecia apenas uma discussão sobre humor rapidamente virou algo muito maior.

Comunidades diferentes começaram a compartilhar memes contra o filme.

Alguns usuários chegaram a brincar que fandoms que normalmente brigam entre si haviam formado uma espécie de “trégua” para criticar Lesbian Space Princess.

E foi aí que nasceu uma das maiores piadas envolvendo o filme:

“JUST THIS ONCE.”

“É CRINGE DEMAIS”

Uma das críticas mais comuns não tem relação com política ou representação.

É simplesmente o humor.

Lesbian Space Princess aposta deliberadamente em piadas absurdas e extremamente explícitas.

O planeta principal se chama Clitópolis.

Os antagonistas são chamados de “Straight White Maliens”.

Existe uma nave chamada Problematic Ship.

Personagens fazem piadas sobre sexualidade constantemente.

Para alguns espectadores, isso é justamente parte da graça.

Para outros, o humor parece excessivamente forçado e parecido com o estilo de comunidades de internet dos anos 2010.

Essa divisão acabou se tornando uma das principais razões para o filme ser chamado de “cringe” nas redes.

MAS ENTÃO SURGIU UMA ACUSAÇÃO MUITO MAIS SÉRIA

Entre as diversas críticas, uma ganhou destaque:

A ACUSAÇÃO DE TRANSFOBIA.

O principal motivo está relacionado a uma arma chamada Labrys.

A labrys é um machado de duas lâminas historicamente associado a símbolos lésbicos.

Entretanto, nos últimos anos, o símbolo também passou a ser associado a determinados grupos de orientação trans-excludente.

Isso criou uma situação complicada.

Alguns espectadores interpretaram determinadas cenas do filme como uma representação problemática de pessoas trans.

A CENA DA LABRYS

Durante a história, Saira consegue invocar sua Labrys.

A personagem Blade, uma drag queen, tenta tomar o artefato para si.

Depois, Saira e Willow enfrentam Blade.

Para alguns espectadores, a maneira como essa situação é apresentada pode ser interpretada como uma metáfora sobre uma personagem supostamente “roubando” ou tentando tomar para si algo associado à identidade lésbica.

Foi principalmente essa sequência que alimentou as acusações de transfobia nas redes.

Mas existe uma informação importante:

BLADE NÃO É APRESENTADA COMO UMA MULHER TRANS.

Ela é uma personagem drag queen.

Além disso, uma das mães de Saira é uma mulher trans.

AS DIRETORAS RESPONDERAM À INTERPRETAÇÃO

Emma Hough Hobbs e Leela Varghese, as diretoras do filme, já haviam discutido a questão da labrys durante a produção.

Hough Hobbs explicou que a equipe estava consciente das associações contemporâneas do símbolo e debateu se deveria utilizá-lo.

A intenção, segundo ela, era justamente apresentar a labrys como um símbolo que pudesse pertencer a todas as lésbicas, incluindo lésbicas trans.

O filme também apresenta uma versão da labrys nas cores da bandeira trans associada à personagem Queen LeighAnn.

Portanto, existe uma diferença importante entre:

“Alguns espectadores interpretaram a cena como transfóbica”

e

“As diretoras fizeram o filme com intenção transfóbica.”

A primeira afirmação descreve uma reação real da comunidade.

A segunda não é sustentada pelas declarações das cineastas.

ENTÃO A POLÊMICA ESTÁ RESOLVIDA?

Não.

E talvez esse seja o motivo pelo qual a discussão continua.

Alguns espectadores continuam considerando que determinadas imagens e situações podem transmitir uma mensagem problemática independentemente da intenção das diretoras.

Outros entendem que a interpretação ignora o contexto completo do filme e as próprias escolhas feitas para representar lésbicas trans.

Ou seja:

INTENÇÃO E INTERPRETAÇÃO NÃO SÃO NECESSARIAMENTE A MESMA COISA.

Esse acabou sendo um dos pontos centrais da discussão.

E A HISTÓRIA DO FILME?

Outra crítica apareceu quando pessoas começaram a assistir ao longa completo em vez de apenas aos vídeos que circulavam nas redes.

A história acompanha Saira depois do término com Kiki.

Quando Kiki é sequestrada, a princesa embarca em uma jornada espacial para resgatá-la.

Durante a aventura, Saira precisa enfrentar seus próprios problemas de autoestima e aprender a lidar melhor consigo mesma.

O filme também apresenta Willow, uma personagem não binária que acompanha Saira durante a aventura.

Portanto, a representação LGBTQIA+ não está limitada apenas à protagonista.

A “GUERRA DOS FANDOMS”

Talvez a parte mais engraçada de toda essa história tenha sido a transformação da polêmica em meme.

Fãs de diferentes comunidades começaram a brincar que estavam deixando suas rivalidades de lado para atacar o mesmo filme.

Comunidades que normalmente discutem entre si começaram a aparecer juntas em montagens e memes.

A ideia era basicamente:

“NÓS PODEMOS NOS ODIAR DEPOIS. AGORA TEMOS UM INIMIGO EM COMUM.”

Obviamente, isso era principalmente uma piada da internet.

Mas o fenômeno ajudou a aumentar ainda mais a visibilidade do filme.

O PROBLEMA: MUITA GENTE NÃO ASSISTIU AO FILME

Conforme os memes cresceram, outra discussão surgiu.

Alguns usuários começaram a admitir que estavam criticando o filme sem sequer tê-lo assistido.

Clipes isolados passaram a ser utilizados como prova de que a produção inteira era ruim.

Isso tornou a situação ainda mais difícil de analisar.

Uma coisa é assistir aos 87 minutos do filme e não gostar.

Outra é formar uma opinião baseada em um vídeo de alguns segundos retirado de contexto.

Essa diferença foi apontada por membros da própria comunidade de animação.

O FILME É REALMENTE TÃO RUIM?

Essa é uma pergunta difícil de responder objetivamente.

O estilo de humor é propositalmente exagerado.

A animação possui uma estética bastante específica.

E o roteiro não tenta esconder sua natureza absurda.

Para quem gosta desse tipo de comédia, isso pode ser exatamente o ponto positivo.

Para quem não gosta, os mesmos elementos podem parecer irritantes.

As primeiras críticas profissionais foram consideravelmente mais positivas do que a reação que surgiu nas redes em 2026.

Isso não significa que as críticas negativas atuais sejam inválidas.

Significa apenas que existe uma diferença enorme entre a recepção inicial e a onda de rejeição que surgiu posteriormente.

E O “ÓDIO” CONTRA O FILME?

Existe ainda uma camada adicional.

Parte da reação negativa veio de pessoas que realmente não gostaram do filme.

Mas outras comunidades passaram a utilizar Lesbian Space Princess como uma espécie de símbolo de discussões culturais mais amplas.

Alguns grupos passaram a chamar o filme de exemplo de “woke” ou de suposta propaganda anti-hétero.

Ao mesmo tempo, outras pessoas defenderam o longa e afirmaram que a reação havia se transformado em uma campanha de ódio desproporcional.

Isso tornou extremamente difícil separar:

CRÍTICA AO FILME

de

MEME SOBRE O FILME

e

DISCURSO POLÍTICO SOBRE O FILME.

AFINAL, QUAL É O GRANDE DEBATE?

No fundo, Lesbian Space Princess acabou entrando em várias discussões diferentes ao mesmo tempo.

É possível não gostar do humor.

É possível achar a animação estranha.

É possível considerar algumas escolhas de representação problemáticas.

Também é possível interpretar as mesmas cenas de maneira completamente diferente.

O que não dá para fazer é transformar uma interpretação específica em fato estabelecido sem considerar o contexto e as declarações das próprias criadoras.

DE UM FILME DE FESTIVAL A UM MEME GLOBAL

Talvez essa seja a parte mais inesperada de toda a história.

Em 2025, Lesbian Space Princess era principalmente um filme independente australiano premiado em festivais.

Em 2026, tornou-se um fenômeno de internet.

Clipes viralizaram.

Memes apareceram.

Fandoms fizeram “trégua”.

Críticas começaram a pipocar.

E uma discussão sobre uma labrys acabou se transformando em um debate muito maior sobre representação LGBTQIA+, humor e interpretação artística.

Tudo isso envolvendo um filme que, originalmente, tinha um público relativamente específico.

E AGORA?

Lesbian Space Princess provavelmente continuará sendo lembrado não apenas pelo filme em si, mas também pelo fenômeno que surgiu ao redor dele.

A produção conseguiu algo extremamente raro:

UM FILME DE 2025 VIROU UM DOS GRANDES ASSUNTOS DA INTERNET EM 2026.

Seja pelos fãs que defendem sua proposta, pelos espectadores que consideram o humor insuportável, pelas discussões sobre a representação trans ou simplesmente pelos memes, o longa conseguiu entrar em uma conversa muito maior do que sua equipe provavelmente imaginava.

No final, talvez a pergunta mais interessante não seja:

“LESBIAN SPACE PRINCESS É BOM OU RUIM?”

Mas sim:

“COMO UM FILME QUE PASSOU MESES SENDO ELOGIADO EM FESTIVAIS CONSEGUIU VIRAR, UM ANO DEPOIS, UM DOS MAIORES ALVOS DE MEMES E POLÊMICAS DA INTERNET?”

E essa história mostra mais uma vez uma característica das redes sociais:

às vezes, basta um clipe de poucos segundos para um filme inteiro ser colocado no centro de uma discussão gigantesca.

Sobre o Autor

vinicius rodrigues de oliveira author

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